O tempo em que vivemos parece turbulento, por vezes absurdo, muitas vezes cruel. Ainda assim, apesar de tudo, ou talvez justamente por isso, continuo acreditando que existe sempre uma maneira de reconhecer a beleza da vida.
Antes de qualquer grande ideal, o mínimo: o direito de existirmos INTEIRAS.
E para isso, é preciso estarmos vivas.
Saudáveis.
Livres.
Cheias de sonhos.
Inteiras, no sentido mais amplo, mais digno e mais humano da palavra.
É urgente que essa conversa seja coletiva e que essa responsabilidade seja compartilhada.
Precisamos, mais do que nunca, de homens dispostos a se posicionar, a se responsabilizar, a rever aquilo que por tanto tempo foi naturalizado. Porque toda mudança verdadeira começa no território mais íntimo de cada um de nós. Nos pequenos gestos e escolhas cotidianas.
Começa quando se recusa a participar de conversas que expõem ou diminuem mulheres. Quando rompe o pacto silencioso da camaradagem masculina que, tantas vezes, sustenta comportamentos machistas. Quando questionam suas próprias atitudes. Quando compreendem que a transformação não é opcional, é urgente.
E começa também nas atitudes que parecem simples, mas carregam mundos:
Não interromper uma mulher quando ela fala. Não exigir que ela diminua a própria voz para caber. Não esperar que ela se molde às expectativas, aos relacionamentos ou papéis.
Começa quando deixamos de ensinar meninas que cuidar da casa e de todos é um destino naturalmente feminino. E quando ensinamos aos meninos a serem adultos responsáveis, respeitosos, presentes. Seres humanos completos e funcionais.
Ensinar aos meninos sobre consentimento com a mesma seriedade com que se ensina qualquer matéria na escola. Falar sobre isso muitas vezes, em muitos lugares. De muitas formas.
Ensinar sobre cuidado e sobre cuidar.
Ensinar que falar de sentimentos não diminui ninguém. Pelo contrário, é parte fundamental do que nos torna humanos.
Porque o que enfrentamos não é simples. São camadas sobre camadas. Séculos de uma cultura patriarcal que moldou papéis, lugares e silêncios.
Mas a história também é feita de rupturas. E pouco a pouco, vamos quebrando padrões. Abrindo novos caminhos possíveis. Inventando novas formas de existir no mundo.
Escolher enxergar beleza na vida e na força das mulheres não significa negar a realidade, mas acreditar que a mudança também nasce da delicadeza. Da transformação silenciosa que começa dentro de cada indivíduo e, aos poucos, reverbera no coletivo.
E talvez, em um futuro não tão distante, possamos viver em uma sociedade onde a mulher possa existir inteira — respeitada em sua voz, seu corpo e seus direitos.
Porque quando uma mulher pode existir inteira, não é apenas ela que se transforma.
O mundo inteiro muda com ela.

1 comentário em 8M • Vivas, inteiras e livres
Samira Scalso
Que texto lindo e verdadeiro! Eu, como mãe de menino, sinto a responsabilidade de educá-lo como você bem mencionou. Esta é uma tarefa intransferível de nós, mães, avós, educadoras..
Quando no mundo não houver mais nenhum tipo de distinção — seja por sexo, cor da pele, opinião política, dentre tantas outras coisas — saberemos que estaremos mais próximos daquele amor que Jesus já tenta nos ensinar há tanto tempo, e que ainda não aprendemos plenamente.
Para mim, ser INTEIRA representa ter atingido a evolução espiritual que esta existência me permite e poder compartilhar isso com o maior número de pessoas. Quando florescemos, ajudamos quem está próximo pelo exemplo. Quando correspondemos à violência com amor, damos a resposta mais certeira